Jesus dos Santos
“Eu fico muito sentida de sair! Mas, é muito desconfortável estar no mesmo ambiente que ele, ainda mais de final de semana”.
“(...) segurei por um tempo a situação aí no ... (setor). Apesar de gostar muito de trabalhar aí, estou bem desgostosa com a situação. (...) graças a Deus estou tendo o apoio dos meus pais e do meu terapeuta com mais excesso essa semana...”.
Estas são algumas das mensagens recentes trocadas entre uma estagiária e um servidor de seu setor do Dae Jundiaí.
As mensagens serviram para a busca de orientação sobre as tratativas do pedido do desligamento da estagiária, que alegou estar sendo assediada sexualmente por um servidor de carreira, principalmente aos finais de semana, em escalas de plantão.
No entanto, a empresa impediu o desligamento da estagiária e a transferiu para outro setor. O assediador foi mantido em sua lotação.
Um servidor, que, sob a condição de anonimato, foi ouvido pelo Grande Jundiaí manifestou sua indignação, tanto pelo assédio como pela atitude do Dae Jundiaí.
“Como pode? O assediador continua no “bem-bão” em seu setor e a estagiária assediada é quem tem de sair?”, questionou ele.
“Ela deveria continuar em seu setor e o assediador é quem deveria sair e ser punido”, avaliou.
O servidor também denunciou que o pior já acontece nesse mesmo setor.
“Olha, e tem coisa pior, viu? Sei que já têm mais duas estagiárias que também foram assediadas sexualmente por esse mesmo servidor. Mas, o Dae não faz nada com ele”, denunciou.
SINDICATO
Procurado, Gustavo Rossato, presidente do Sindicato da categoria, o Sindae, comentou que à entidade, ainda não chegou nada oficialmente sobre as denúncias envolvendo as estagiárias.
“Essas denúncias não chegaram ao conhecimento do Sindae. Mas, agora que estamos tomando ciência da situação, vamos investigar”, disse Rossato.
JUDICIÁRIO
Tramita no Poder Judiciário a Ação Civil Pública pedindo a condenação do Dae Jundiaí por outros atos de assédio moral e sexual, que já vinham sendo investigados.
O Ministério Público do Trabalho, titular da ação, por meio do procurador Marcel Bianchini Trentin, pede R$ 500 mil, a título de indenização por dano moral coletivo. Além desse valor, outros R$ 10 mil serão cobrados por cada eventual obrigação constante da sentença e não cumprida.
“Todos os elementos colhidos (no inquérito) demonstram que as práticas abusivas são reiteradas, enraizadas e institucionalizadas, envolvendo distintos setores do Dae e múltiplos gestores com poder decisório”, afirma o procurador do MPT na ação.
“A investigação constatou que o Dae não apenas falhou em punir os assediadores, mas também os protegeu”, destacou Marcel Trentin.
DAE
O Dae Jundiaí não respondeu ao Grande Jundiaí especificamente sobre o caso envolvendo as estagiárias.
Mas, informou que, “veementemente, reforça o repúdio a qualquer forma de assédio, discriminação ou comportamento inadequado no ambiente de trabalho”.
A empresa também destacou que “mantém políticas internas claras de prevenção e enfrentamento a essas condutas, além de promover, de forma contínua, treinamentos e ações voltadas à ética, ao respeito e à construção de um ambiente de trabalho seguro e saudável para todos”.
Por último, o Dae disse que “mantém políticas internas e procedimentos formais para apuração de denúncias, garantindo sigilo, respeito e responsabilidade em todos os processos”.