No último dia 13, o Jundiaí Saúde publicou reportagem, sob o título ‘A pedido do MPT, Sanitária fecha laboratório do DAE’.
A reportagem mostrou que as denúncias feitas pelo Sindae, sindicato da categoria, começavam a ganharseguimento pelo órgão federal (Ministério Público do Trabalho), em razão de a empresa jundiaiense supostamente não estar cumprindo as medidas protetivas contra a pandemia provocada pelo coronavírus.
Logo após a publicação, a reportagem recebeu algumas mensagens, alertando sobre a necessidade de melhor apuração dos fatos publicados, já que não fora a Sanitária a autora da vistoria e que também o verdadeiro órgão vistoriador, que lá compareceu, não lavrou nenhum termo de interdição do laboratório.
Além dessas mensagens de alerta recebidas de leitores, que por elas o Jundiaí Saúde até agradece,mereceu a mesma atenção um comunicado que a assessoria de imprensa do Dae S/A enviou a todos os seus funcionários, uma semana após a vistoria, ou seja, no último dia 20.
Configurado por um gráfico escandalosamente colorido de vermelho e verde, o comunicado, com falta de ética, escancara supostas três mentiras em publicação do Jundiaí Saúde e apresenta o texto da empresa que o chamou de verdadeiro.
A primeira mentira apresentada no gráfico, dá conta exatamente do autor da vistoria. Diz o Dae, no gráfico do comunicado, que não foi a Sanitária a autora da vistoria e, sim, o Cerest – Centro de Referência em Saúde do Trabalhador.
A segunda, ‘desmente’ o presidente do Sindae, Rodnei dos Santos’, quando disse que, assim que teve início a vistoria, a empresa se apressou em colocar frascos de álcool em gel em pontos estratégicos do galpão operacional, além da distribuição de máscaras aos servidores.
E a terceira, também ‘desmente’ o diretor do Dae, Fernando de Moraes, que denunciou que o gerente de RH, José Dib Jr., guardava os testes rápidos para coronavírus em seu poder. Também desmentiu (e agora pode ter razão) que o prefeito Luiz Fernando Machado tenha disponibilizado os testes rápidos para o Dae. “Eles foram comprados pela própria empresa”, diz o comunicado.
NOME, SOBRENOME E AUTOR
A assessoria de imprensa do Dae inicia seu comunicado contendo o gráfico, dizendo que “foi publicada, em 13 de julho de 2020, matéria em rede social que traz diversas informações mentirosas sobre a fiscalização feita na empresa”.
Primeiro, a assessoria de imprensa do Dae sabe, sim, que não seria preciso omitir o nome de quem publicou e quem assinou a matéria. A reportagem aqui faz questão de enfatizar que temos nome, sobrenome e não precisamos nos esconder no anonimato para dizer a verdade. Nosso nome é Jundiaí. Nosso sobrenome é Saúde. E o autor dessa matéria é Jesus dos Santos, jornalista, MTb33.428/SP. Solicita-se aqui, o respeito e o cumprimento do Código de Ética dos Jornalistas Profissionais.
Se gostam ou não deste veículo de comunicação é questão pessoal ou política. Mas, a ele o desrespeito não haverá de prevalecer, ainda que, por alguns,possa ser considerado blog, site, jornalzinho, portal ou até mesmo bilhete de correio elegante de quermesse. Ele tem nome e sobrenome: Jundiaí Saúde - e tem o objetivo de informar a população sobre fatos ocorridos, sem manifestar a sua opinião, cumprindo, assim, as regras do sério jornalismo. As opiniões e informações são de suas fontes, a quem se dirige agora os sinceros agradecimentos pela colaboração para manter em nossa cidade uma população verdadeiramente bem informada.
QUEM MENTE?
A quem não sabe, todo bom jornalista, antes de suas publicações, solicita informações a todos os que real ou eventualmente estejam envolvidos com os fatos em apuração.
No dia da publicação dessa matéria - antes dela, frise-se - a reportagem solicitou informações ao Ministério Público do Trabalho, à Prefeitura de Jundiaí e ao próprio Dae S/A Jundiaí.
Veja, a seguir, a sequência de trechos das solicitações pela reportagem e as respostas obtidas:
JS: “Recebemos informação por telefone que essa Procuradoria estaria em diligências no Dae S/A Jundiaí, por conta de denúncias do Sindae, sindicato da categoria, nesta manhã. Solicito.....”.
Assessoria de Imprensa MPT: “Ao receber a denúncia, uma das providências pelo MPT foi oficiar a Vigilância Sanitária Municipal e a Gerência Regional do Trabalho para tomarem as providências cabíveis. Assim, acreditamos que as diligências a que se referiu tenham sido feitas por essas instituições que, posteriormente, nos encaminharão os relatórios”.
Para a reportagem do Jundiaí Saúde foi suficiente aconfirmação de que a Gerência Regional do Trabalho de Jundiaí não havia se deslocado para o Dae. Ficava, assim, confirmada a Vigilância Sanitária Municipal como a autora da vistoria.
Mas, mesmo assim, a Prefeitura de Jundiaí, e o DaeJundiaí receberam solicitações do Jundiaí Saúde. Nenhum respondeu. Se pelo menos, um deles tivesse respondido, a ‘mentira’ não teria sido publicada. Vejam:
Jundiaí Saúde: “Estou produzindo matéria sobre a diligência realizada no Dae, pela Vigilância Sanitária Municipal, a pedido do Ministério Público do Trabalho. Tenho informações de que o laboratório foi fechado, já que todos os seus funcionários foram afastados para a obrigatória quarentena. Uma servidora testou positivo para coronavírus, nesse setor. (...) Solicito manifestações das áreas envolvidas”.
Assessoria de Imprensa do Dae S/A: Não respondeu.
Jundiaí Saúde: (Envio de solicitação com o mesmo teor do Dae).
Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Jundiaí: Não respondeu.
FONTES
Quanto à primeira ‘mentira’, o Jundiaí Saúde espera ter elucidado o fato. Quanto à segunda e terceira, prefere desprezar, já que acredita em suas fontes, mesmo quando são silenciosas, mas, que poderiam ter evitado o erro (e não uma mentira), como no caso das assessorias de imprensa sobre a Vigilância Sanitária Municipal.
LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO
A reportagem do Jundiaí Saúde, inconformada com o silêncio da assessoria de imprensa do DaeJundiaí, encaminhou, dois dias depois da publicação, via Lei de Acesso à Informação (LAI), a solicitação quanto ao real autor da vistoria e se o laboratório havia mesmo sido fechado.
Em resposta, agora obrigatória, o Dae confirmou o fechamento do laboratório desde o dia 13, dia da vistoria, até o dia 19 e que teve retorno das atividades, nesta segunda-feira (20). Diz ainformação que o fechamento se deu por decisão do médico do trabalho da empresa. No entanto, o Jundiaí Saúde, em nenhum momento, disse que houve interdição, com afixação de placas como de praxe. “... fecharam o setor de laboratório, já que lá todos os funcionários tiveram contato com uma servidora que testou positivo para a covid-19, na semana passada, e ainda não tinham sido afastados para a obrigatória quarentena de 14 dias”, dizia o texto da matéria do dia 13 passado.
A resposta do Dae Jundiaí também confirmou ter sido o Cerest, e não a Vigilância Sanitária, o autor da vistoria.
O fato é que o Jundiaí Saúde solicitou, pela LAI,uma informação apontando ser ela de resposta imediata, como preceitua o seu artigo 11. “O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso imediato à informação disponível”, diz o artigo da lei.
A informação estava disponível. Tanto é que o DaeJundiaí a transmitiu aos seus funcionários, em comunicado com o gráfico, no dia 20 de julho. Mas, a informação ao Jundiaí Saúde só chegou, via e-mail, no dia 23 de julho, o que comprova a transgressão à Lei de Acesso à Informação: negar acesso imediato à informação disponível.
PEDIDOS NEGADOS E TÉCNICOS
O presidente do Sindae, Rodnei dos Santos, repetiu, nesta terça-feira (28), que seus pedidos para vistoria na empresa foram negados pelos dois órgãos do Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Jundiaí, o Cerest e a Vigilância Sanitária.
“Por livre e espontânea vontade, nem o Cerest, nem a Vigilância Sanitária, vieram aqui no Dae, em atendimento ao nosso pedido. E olha que estávamos desesperados com essa situação que a empresa mantinha em relação às medidas protetivas contra o coronavírus. Então fomos para o Ministério Público do Trabalho, em Campinas. Daí, Só veio o Cerest agora, porque tem ofício do Ministério Público do Trabalho”, disse Rodnei dos Santos.
“Estávamos descobertos em termos de ações dos órgãos competentes da Prefeitura de Jundiaí e também do Serviço de Segurança do Trabalho aqui do Dae. Dos quatro técnicos de segurança que existiam aqui, três foram promovidos a chefes e, evidentemente um só não dá conta de enfrentar essa luta em defesa da saúde e da vida dos trabalhadores”, completou o dirigente sindical.
RELATÓRIOS
Na mesma resposta do pedido via Lei de Acesso à Informação, o Dae informou ao Jundiaí Saúde que o relatório feito pelo Cerest será encaminhado a ele posteriormente.
A reportagem apurou que não é do Dae a competência para receber o relatório, já que quem está trabalhando nas denúncias feitas pelo sindicato é o Ministério Público do Trabalho, que, então, deverá receber o que pediu em seu ofício.