Um funcionário do frigorífico Flamboiã, em Cabreúva (SP), morreu por complicações da Covid-19. A informação foi confirmada na manhã desta quinta-feria (25) pela Secretaria de Saúde da cidade.
Segundo a prefeitura, a Vigilância Sanitária recebeu a notificação da morte na tarde de quarta-feira (24). Edison Lisboa estava internado em um hospital particular de Jundiaí (SP) e não resistiu.
A empresa já foi autuada pela Vigilância Sanitária por não ter obedecido a Justiça na semana passada, quando as equipes encontraram diversas irregularidades no local. Segundo a denúncia, funcionários que estavam com sintomas eram obrigados a continuar trabalhando.
Nesta semana, após uma determinação da Justiça, o frigorífico suspendeu as atividades e começou a testar todos os trabalhadores. A empresa tem quase 70 casos positivos de Covid-19 até o momento e, desde terça-feira (23), a produção está parada.
O frigorífico Flamboiã tem 10 dias para apresentar uma defesa. A ordem do juiz é que a produção permaneça parada por 14 dias, sob multa de R$ 1,1 milhão por dia.
Em nota, a empresa informou que todas as atividades continuarão paralisadas até que todos os colaboradores sejam testados.
Disse ainda que Edison era "um dos funcionários antigos, daqueles que amavam a empresa e ajudavam a cumprir a missão". A empresa afirmou também que "sua ausência será sentida" e que valoriza todos os empregados.
IRREGULARIDADES
A Vigilância Sanitária divulgou uma lista das irregularidades inseridas na autuação ao frigorífico. Confira abaixo:
• Não manter sob controle os fatores de risco à saúde do trabalhador;
• Permitir que funcionário com teste positivo para Covid-19 em período de transmissão da doença continue trabalhando;
• Utilização comunitária de EPIs contra o frio (os funcionários usam o mesmo casaco de frio);
• Funcionários sem distanciamento mínimo de um metro ombro a ombro;
• Utilização de máscara facial inadequada;
• Ausência de organização para reduzir aglomeração na troca de turno;
• Não acompanhamento de funcionários com teste positivo para Covid-19;
• Ausência de triagem clínica;
• Ignorância sobre situação de funcionários afastados e de familiares de funcionários mortos por Covid-19;
• Ausência de cartazes de orientação sobre as técnicas de lavagem das mãos, de higienização com álcool em gel e de etiquetas respiratórias;
• Não disponibilização de dispensadores de álcool em gel suficientes por toda a fábrica;
• Auxiliares de enfermagem e médico do trabalho trabalhando sem EPI apropriado;
• Não comunicação à Vigilância Epidemiológica sobre casos de funcionários com teste positivo e afastados por Covid-19.
PROTESTO
Na manhã de segunda-feira (22), funcionários fizeram um protesto na sede da empresa. Segundo eles, as pessoas que foram diagnosticadas com a doença estariam trabalhando normalmente.
O grupo alegou ainda que a empresa não realizou testes em todos antes de retornarem ao trabalho e que estaria obrigando os funcionários a trabalharem nestas condições.
O juiz do Trabalho Levi Rosa Tome citou a empresa como sendo o "local com maior risco de contágio da Covid-19 do município" e fez uma solicitação para que o Ministério Público apurasse o caso para constatar se houve crime contra a saúde pública. A fábrica tem, atualmente, um quadro de mais de 800 trabalhadores.
FLAGRANTE
No dia 18 de junho, uma equipe da TV TEM esteve no local e registrou a movimentação em frente ao frigorífico.
De acordo com funcionários que não quiseram se identificar, a determinação de manter apenas a quantidade mínima de pessoas trabalhando para conservar produtos e maquinários não estava sendo cumprida.
A reportagem também flagrou diversos ônibus lotados entrando e saindo da empresa. Apesar de todos usarem itens de proteção, do lado de fora era possível ver os trabalhadores aglomerados durante a troca de turno.