O Sindicato dos Trabalhadores do Dae S/A Água e Esgoto de Jundiaí – Sindae -, por meio de seu presidente, Rodnei dos Santos e seu diretor, Fernando de Moraes, reclama que a empresa demorou dois dias para afastar um de seus servidores, vítima da covid-19.
O caso ocorreu há duas semanas e o Sindae ainda insiste com a empresa para que a Comunicação de Acidente do Trabalho seja por ela emitida.
O servidor, cujo nome não foi divulgado, trabalha em equipes de manutenção de rede de água e é o terceiro caso da doença na empresa. Sua esposa também já apresenta sintomas suspeitos.
Os outros dois servidores também contaminados pelo coronavírus já obtiveram alta do tratamento e passam bem.
Santos informou que o Sindae está muito preocupado com a situação e espera para esta sexta-feira (29) a resposta do ofício que encaminhou à empresa.
No ofício ele solicita providências e esclarecimentos. Caso a resposta não chegue no tempo esperado, o presidente da entidade promete denunciar o fato ao Ministério Público Estadual, bem como às autoridades sanitárias.
“Estamos expostos a situações de iminente risco aqui na empresa, porque sua administração parece que ainda não entendeu a importância dos cuidados nesta pandemia”, diz Santos.
“Há duas semanas, o servidor foi até o ambulatório médico aqui da empresa, onde se queixou de dor de garganta e outros sintomas sugestivos da covid-19. Simplesmente o médico mandou que ele retornasse ao trabalho. Ele retornou, trabalhou mais dois dias, sentiu piora nos sintomas e, então, procurou o hospital, onde testou positivo para o coronavírus. Só aí a empresa o afastou. E esses dias em que, antes do teste, ele ficou junto aos colegas da equipe e de todos nós? Contaminou mais alguém?”, questiona o presidente do Sindae.
O diretor Fernando de Moraes também critica a postura da empresa no que se refere à falta da emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho –CAT, já que doença contraída durante o trabalho tem os mesmos benefícios de um acidente do trabalho,conforme a Lei Federal 8.213/91.
“O governo federal já reconheceu que a covid-19 é doença do trabalho, se nele contraída. A empresa, quando cobrada pela emissão da CAT, é rápida em nos perguntar: quem prova que o servidor foi contaminado durante o trabalho? E nós respondemos também com outra pergunta: e quem prova que o servidor não contraiu a doença durante o trabalho?”, diz o diretor.
“Então, veja que é uma situação em que sempre o trabalhador acaba ficando com o prejuízo. Se estes afastamentos dos servidores não forem considerados como doença do trabalho, todos esses dias darão impacto em suas férias normais, férias prêmio, Fundo de Garantia por Tempo de Serviços aos celetistas etc. Nossa única arma ou vacina, até agora, contra o coronavírus é o isolamento. Mas, se os servidores se isolarem, a população e os próprios hospitais vão ficar sem água. Por isso eles estão nas ruas, cumprindo o seu dever. Onde será que eles estão se contaminando? É essa a pergunta quetambém fazemos à empresa. E nos permitimos em dar a resposta: É claro que no trabalho, uma vez que é nele que os servidores ficam a maior parte do tempo de cada dia”, explicou Moraes.
DAE JUNDIAÍ
A reportagem encaminhou solicitação de informações ao Dae Jundiaí a respeito deste caso, mas sua assessoria de imprensa respondeu que a empresa não vai se manifestar.